O Naturalismo na literatura norte-america

Por Laís Azevedo

O termo Naturalismo descreve um tipo de literatura que tenta aplicar princípios e métodos científicos de objetividade ao estudo dos seres humanos. Diferentemente do Realismo, cujo foco está pautado pela técnica literária, o Naturalismo implica numa posição filosófica: para os escritores naturalistas, levando em consideração que os seres humanos são, como diria Émile Zola, “bestas” humanas, as personagens podem ser estudadas através do relacionamento com o que as cerca, isto é, o meio tem papel fundamental. Zola em O Romance experimental segue o modelo médico de Claude Bernard e a observação aduzida nos estudos históricos de Taine, que consistia em dizer que a virtude e o vício são produtos tais como o açúcar e o ácido. Partido desse pensamento, o homem, na concepção naturalista, devia ser estudado de modo imparcial, sem tentar moralizar sua natureza. Nos Estados Unidos, os escritores naturalistas sofreram  também a influência de Hebert Spencer e Joseph LeConte.

Por meio do estudo objetivo dos seres humanos, os autores pertencentes à escola zolista acreditavam que as leis que estavam por detrás do universo poderiam ser estudadas e entendidas. Desse modo, eles lançavam mão do método científico para escreverem seus romances. Isso fazia com que enxergassem os homens como seres governados pelos instintos e paixões; vale destacar que as questões concernentes à hereditariedade e o meio tinham uma força relevante nessas pesquisas. Embora usassem técnicas detalhistas usadas pelos realistas, os naturalistas possuíam um objeto específico em mente quando eles escolhiam qual segmento da realidade desejavam abordar.

George Becker expressa, numa famosa frase, que o pensamento naturalista oitocentista pode ser descrito como “pessimista, materialista e determinista”.  Outra definição interessante pode ser encontrada na obra American Realism: New Essays, nessa o autor Eric Sundquist explicita que “Festejando o extraordinário, o excessivo e o grotesco para revelar a imutável condição de bestialidade do homem na natureza, o Naturalismo dramatiza a perda de individualidade. Poder-se-ia dizer que os escritores naturalistas traziam à tona um Calvinismo sem Deus, isto é, um mundo pautado pelo determinismo das leis naturais”.

Donald Pizers em Realismo e Naturalismo na ficcção americana do século XIX, aponta que:

“O romance naturalista geralmente contem duas tensões (contradições) e… as duas em conjução compreendem uma interpretação da experiência e uma recriação estética da experiência. Em outras palavras, ambas constituem o tema e a forma do supradito romance.A primeira tensão e aquele encontrada entre o assunto da obra naturalista e o conceito de homem que emerge desse. O escritor naturalista coloca em seus livros personagens oriundas da classe média baixa e das classes miseráveis… Seu mundo ficcional é aquele onde o lugar comum e o não-heróico são os componentes principais. Faz-se importante ressaltar que as obras zolistas descobrem em seu mundo características dos homens, que são normalmente associadas com heroísmo e aventura, tais atos, nos escritos naturalistam, descambam na violência e na paixão que envolvem aventuras sexuais ou força do corpo, que culminam em momentos desesperados e numa morte violenta. O romance naturalista, dessa maneira, é uma extensão do realismo , uma vez que os dois partem de “realidades” calcados no local e no contemporâneo. Entretanto, o naturalismo  descobre, graças à sua maneira de abordar o “real”, o elemento excessivo dos seres humanos.

A segunda tensão, por seu turno, envolve o tema dos romances naturalistas. Os escritores naturalistas frequentemente descrevem suas personagens controladas pelo ambiente, pela hereditariedade, instinto e chance. Eles também sugerem um valor humanístico compensador em suas personagens ou destinos que afirmam o significado de suas vidas. A tensão, nesse caso, eclode entre o desejo naturalista de representar na ficção o novo, embaraçando as verdades que ele encontrou nas ideias e na vida do final do século XIX, e também esta surge do desejo de achar um significado na experiência que reafirma a validade do papel do homem no mundo”.

CARACTERÍSTICAS:

Personagens: Frequentemente, mas não invariavelmente, possuem baixa escolaridade, fazem parte das classes baixas, são governadas pelas forças da hereditariedade, do instinto e da paixão. Suas tentativas de exercer o livre arbítrio são barradas pelas forças que os controlam. O darwinismo social e outras teorias ajudam a explicar o destino das personagens para o leitor.

Espaço: Geralmente, os escritores naturalistas usam o espaço urbano como pano de fundo para suas narrativas.

Técnicas e enredo: Walcutt diz que o romance naturalista oferece uma “fatia clínica e panorâmica da vida”, que traz à tona a crônica do desespero.

TEMAS:

Walcutt identifica os temas relacionados à sobrivivência e ao determinismo como os principais.

O estado do brutalismo composto por emoções extremas, como: paixões, luxurias, ambições, o desejo de dominar e a busca pelo prazer; a luta pela sobrevivência num universo amoral e indiferente.

A natureza é uma força que não dá a mínima para a vida dos seres humanos. A visão romântica de que a natureza nunca trai aqueles que a amam, no naturalismo , cai por terra.

As forças da hereditariedade e do espaço afetam a vida das personagens.

Um universo diferente e determinista. As obras naturalistas geralmente descrevem as tentativas inúteis dos seres humanos de exercerem o livre arbítrio, esse não passa de uma ilusão.

http://www.literaturaemfoco.com/?p=1640

Colaboradora: Amanda Agapyto

Artigo sobre o Naturalismo

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